Artigo | A noção de documento: de Otlet aos dias de hoje

ORTEGA, Cristina Dotta; LARA, Marilda Lopes Ginez de. A noção de documento: de Otlet aos dias de hoje. Datagramazero, v. 11, n. 2, Rio de Janeiro, abr. 2010. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/abr10/Art_03.htm&gt;. Acesso em: 3 maio 2015.

Resumo: Objetiva analisar o documento enquanto objeto informacional partindo da hipótese de que a noção de documento relaciona-se à sua condição de informatividade, o que implica considerar seu aspecto pragmático e o caráter social e simbólico da informação. Sob o ponto de vista metodológico, procedemos à recuperação histórica do conceito e sua atualização na contemporaneidade recorrendo à Terminografia para análise e cotejamento das noções de documento e de Documentação. O corpus de análise compreende textos dos principais documentalistas e teóricos da Documentação franceses, espanhóis e em língua inglesa, desde Otlet. A análise mostra que os termos documento e Documentação já tinham em germe a noção de informação, bem como revela sua atualização por parte dos franceses e espanhóis. Já a corrente anglo-saxã, ao adotar uma abordagem de informação que extrapola, muitas vezes, aquela relacionada aos processos de organização da informação para o acesso e uso, distanciou-se da abordagem clássica de documento. Como conclusão, podemos afirmar que a construção histórica do conceito de documento no âmbito da Ciência da Informação é anterior ao surgimento desta denominação da área, o que nos conduz ao reconhecimento da noção de documento proposta por Otlet e desenvolvida pelos franceses e espanhóis. Documento é hoje concebido simultaneamente como instância física e informativa que, sob ações e condições específicas contextualizadas, otimiza a circulação social do conhecimento.
Palavras-chave: Documento; Informação; Informatividade; Documentação; Paul Otlet

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Censura no Facebook: o caso do Ministério da Cultura

Por Bibliotecários Sem Fronteiras

Censura: o dia que o MinC brigou com o Facebook

Escrevo este post para relatar e registrar uma bela novidade e uma bela polêmica, ambas ocorridas nesta semana de meados de abril.

A novidade veio do lançamento oficial do Portal Brasiliana Fotográfica http://brasilianafotografica.bn.br/ resultado de uma parceria entre a Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles. Em seu acervo, além de uma bela curadoria, imagens históricas dos séculos XIX e XX.

A polêmica envolve o Ministério da Cultura, que decidiu adotar as providências legais cabíveis contra o Facebook – às vésperas do Dia do Índio, que será comemorado domingo (19/4), pois a rede social censurou uma foto publicada num post do MinC, que continha uma foto de 1909, feita por Walter Garbe, de um casal de Índios Botocudos, em que aparece uma indígena com o dorso nu. Horas depois da publicação, o Facebook apagou a imagem.

A foto censurada é essa do post e pode ser conferida na íntegra no link.

Segundo página do Ministério, este solicitou o desbloqueio, mas a empresa manteve a decisão de censurá-la alegando que não se submete a legislação local e que tem regras próprias, que aplica globalmente.

Diante do fato, o Ministério da Cultura protestou declarando que o Facebook, ao aplicar termos de uso abusivos e sem transparência, tenta impor ao Brasil, e às demais nações do mundo onde a empresa opera, seus próprios padrões morais, agindo de forma ilegal e arbitrária. E mais… que tal postura fere a Constituição da República; o Marco Civil da Internet; o Estatuto do Índio e a Convenção da Unesco sobre Proteção e Promoção da Diversidade e das Expressões culturais. Também desrespeita a cultura, a história e a dignidade do povo brasileiro.

O final desta história é… ao anunciar que acionaria judicialmente o Facebook contra censura na rede, a foto do casal de Índios Botocudos que havia sido retirada voltou a ser incluída na fanpage do Ministério.

Finalizando, compartilhei o assunto, com o intuito de apontar que o tema não encerra por aqui. Na execução de nossas atividades profissionais e mesmo individuais, não estamos livres da tarefa de pensar, discutir e mesmo agir em relação à questões desta natureza. Também é nosso papel discutir ampla e democraticamente o direito autoral, a governança da internet, ou ainda iniciativas como a #‎HumanizaRedes, que pretende conciliar liberdade de expressão e de informação com garantia dos direitos, respeito à diversidade e combate ao discurso de ódio e à discriminação em todas as suas formas.

Um chamado para pensar a Biblioteconomia

Este blog foi criado para a disciplina Acesso a Fontes de Informação em Meio Digital do curso de graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da Profa. Júlia Gonçalves da Silveira. Espera-se publicar neste espaço links para textos teóricos, vídeos e reflexões acerca do fazer bibliotecário.

A Biblioteconomia, sendo prática, é vista muitas vezes como exclusivamente técnica. No que pese o discurso acadêmico tentar contestar tal visão, não se pode negar que o arcabouço teórico do bibliotecário é escasso. Nos cursos de graduação em Biblioteconomia a teoria é deixada de lado em prol da prática que garantirá a entrada do aluno no mercado de trabalho: o aluno é treinado para provas de concurso da mesma forma que na escola foi treinado para o vestibular, ou então é incentivado a concentrar-se em adquirir conhecimento em linguagens de computadores e quanto ao ambiente empresarial, com o intuito de ser contratado por uma empresa de grande porte.

Pouco espaço é dedicado, portanto, ao pensar. Se o bibliotecário lida com o conhecimento produzido continuamente pela humanidade, como é que ele não consegue enxergar sua própria disciplina no contexto científico? É preciso que o bibliotecário entenda sua prática, questione-se e pergunte-se por que, para quem e como ele atua na sociedade.

Este blog procurará instigar este tipo de discussão, postando conteúdo que vá além da superfície de um simples tutorial nos moldes do “como fazer? Um passo-a-passo”. Como já dizem título e subtítulo acima, não se trata aqui de nos desvincular da prática, mas pensá-la para que nossa atuação no mundo alcance de fato o viés o social da biblioteca.